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20/08/2026

Entre espigas, grãos e descobertas

Experiência com o milho

No dia 15/06/26, no CE. Maria Natividade Machado, as professoras Kátia Vale e Luana Miranda, do Agrupamento I A/B, viveram com as crianças uma experiência de investigação e descobertas a partir de um alimento tão presente em nosso cotidiano: o milho.

Tudo começou durante a contação da história A Galinha Choca. Enquanto acompanhavam a narrativa, as crianças foram se envolvendo com a personagem e, em meio à roda de conversa, surgiu uma curiosidade: o que a galinha comia? As perguntas foram aparecendo e, a partir dessas falas e interesses, as professoras perceberam a possibilidade de ampliar a investigação.

Em outro momento, durante as observações e escutas do cotidiano, também notaram que o grupo compartilhava um gosto especial pelo cuscuz. A partir dessas pistas deixadas pelas próprias crianças, nasceu a proposta de conhecer melhor o milho, suas formas, suas transformações e as diferentes maneiras como ele chega até nós.

Na roda, as professoras apresentaram diversos tipos e formas de milho: espigas cruas e cozidas, milho cozido em potes, cuscuz em flocos, quirela, milho de pipoca e até mesmo a ração utilizada na alimentação das galinhas. Diante de tantos elementos, os olhares curiosos se voltaram para os materiais. As pequenas mãos tocaram, apertaram, observaram e experimentaram.

Em meio a essa exploração, Samuel pegou o milho cozido e, ao apertá-lo, percebeu que os grãos se desprendiam e se desfaziam em suas mãos. Surpreso com o que havia acontecido, declarou:

“O milho está quebrado!”

A fala, aparentemente simples, revelou importante descoberta. A criança estava observando uma transformação e buscando, à sua maneira, nomear aquilo que acontecia diante de seus olhos e entre suas mãos.

Depois da exploração na roda, as professoras prepararam um espaço no parque com utensílios e elementos de cozinha, convidando as crianças a continuar suas investigações de maneira ainda mais livre e sensorial. O espaço se transformou em território de descobertas, onde as crianças puderam experimentar o milho com as mãos, aproximá-lo do nariz, observar suas cores, sentir suas texturas e perceber suas diferenças.

As espigas despertaram especial interesse. As crianças observaram que algumas eram maiores, outras menores, obserevaram diferenças entre os grãos e compararam o milho cru e o cozido. Cada toque, cada olhar e cada gesto parecia trazer uma nova pergunta ou uma nova possibilidade de investigação.

E então aconteceu uma descoberta que encantou o grupo: ao apertar a espiga, o Heitor percebeu que dela saia um líquido branco. O chamado “leite” do milho apareceu sobre seus dedos e imediatamente despertou sua atenção. A criança observou, apertou novamente e acompanhou cuidadosamente aquilo que acontecia. O que antes parecia ser apenas uma espiga tornou-se objeto de investigação, provocando curiosidade, encantamento e muitas perguntas.

Nesse momento, percebeu-se que a aprendizagem acontecia justamente naquilo que as crianças faziam: apertar, tocar, observar, comparar, perguntar, experimentar e tentar compreender. O milho deixou de ser apenas um alimento conhecido e passou a ser objeto de investigação e descoberta.

A experiência possibilitou às crianças ampliar seus conhecimentos por meio dos sentidos e da interação com materiais presentes em seu cotidiano. As diferentes formas do milho favoreceram comparações, descobertas sobre suas características e percepções sobre suas transformações.

Mais do que apresentar informações, a proposta nasceu das escutas e curiosidades das próprias crianças, permitindo que elas fossem protagonistas de suas descobertas. Entre espigas, grãos, cheiros, texturas e mãos curiosas, o grupo construiu aprendizagens significativas, mostrando que o cotidiano pode se transformar em rico campo de investigação quando olhamos com atenção para aquilo que as crianças perguntam, observam e desejam descobrir.

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