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11/08/2026

A curiosidade que nasce do toque

Do toque à memória

No dia 01/07/26, em uma manhã de céu nublado, a Sala de Referência do Berçário II A/B se transformou em espaço de investigação, curiosidade e descobertas. Organizada pelas professoras Érica Souza e Raquel Amorim, a proposta convidou os bebês a explorar as propriedades e as diferentes possibilidades de um material muito rico e investigativo, o amido de milho, diluído em água e acompanhado de animais e argolas que ampliaram os caminhos da brincadeira e da imaginação.

Sobre um grande papel Kraft, recipientes com a mistura foram cuidadosamente organizados, criando um convite para que os bebês se aproximassem e descobrissem, cada um a seu modo, o que aquela experiência poderia revelar. Antes mesmo do primeiro toque, os olhares atentos já anunciavam a curiosidade diante de algo novo.

Logo, as mãos começaram a investigar. Tocavam, apertavam, batiam e deixavam a mistura escorrer entre os dedos. A cada gesto, uma nova possibilidade se revelava. O material, que parecia firme ao ser pressionado, tornava-se fluido quando as mãos relaxavam, provocando surpresa e encantamento.

Pedro foi um dos primeiros a perceber essa transformação. Ao bater com força sobre a mistura, observou sua consistência e, curioso diante do que havia descoberto, repetiu o movimento. Depois, deixou a mão afundar, apertou novamente e a ergueu, acompanhando atentamente o que acontecia. Ao perceber a mistura escorrendo por entre seus dedos, compartilhou sua descoberta: “Olha, tá caindo!”. Seu entusiasmo despertou a curiosidade dos colegas, que passaram a experimentar diferentes gestos e maneiras de interagir com o material.

Isaac encontrou outro caminho para sua investigação. Entre risadas, descobriu que também era possível lançar a mistura para o alto e acompanhar sua queda. Repetiu o movimento diversas vezes, observando com alegria o percurso do material, envolvendo os colegas em sua brincadeira.

Maitê, por sua vez, escolheu participar de uma maneira diferente. Preferiu observar atentamente as ações dos amigos, acompanhando cada reação, cada surpresa e cada gargalhada. Quando convidada a tocar a mistura, optou por não fazê-lo naquele momento, mas permaneceu envolvida com a experiência, sorrindo diante das descobertas dos colegas. Sua participação nos lembra que, na infância, investigar também pode acontecer pelo olhar, pela escuta e pela observação atenta.

Ao longo da vivência, os bebês descobriram que o mesmo material pode se transformar conforme os gestos e as ações realizadas sobre ele. Bater, apertar, afundar, soltar e lançar tornaram-se maneiras de formular hipóteses e perceber relações entre suas próprias ações e aquilo que acontecia diante de seus olhos.

Entre mãos curiosas, olhares atentos, risadas e descobertas compartilhadas, a experiência revelou a potência de uma infância que aprende com o corpo inteiro. Cada bebê encontrou seu próprio jeito de participar, respeitando seus interesses e seu tempo, enquanto construía, na relação com os materiais e com os outros, novas formas de conhecer e compreender o mundo.

Porque, na primeira infância, uma textura pode se transformar em pergunta, um gesto pode revelar uma descoberta e uma simples brincadeira pode abrir caminhos para aprendizagens que começam no toque e permanecem na memória.

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